SE INTERVENÇÃO MILITAR FOSSE BOM, NÃO PRECISAVA DOURAR A PÍLULA

O Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo vem denunciar o uso do setor público da saúde como forma de legitimar a intervenção militar no Rio de Janeiro.

No sábado dia 17 de março na Vila Kennedy, bairro popular da Zona Oeste do Rio de Janeiro, como parte da intervenção do Exército nesse local, considerado pelo interventor, General Braga Neto, como “laboratório”, foi realizada uma assim chamada por ele “ação social” com o objetivo explícito de aproximar as forças armadas da população, oferecendo serviços como emissão de documentos, atendimento médico e jurídico e vacinação contra a febre amarela no interior de uma escola do município.

A saúde no Brasil, após a promulgação da Constituição de 1988 é considerada direito do povo e dever do Estado. Embora os sucessivos governos federais, estaduais e municipais até hoje não tenham respeitado essa diretriz, é muito claro que são os órgãos governamentais da saúde que devem oferecer serviços de modo continuado como um direito da população.

Não é papel das Forças Armadas fazer isso e muito menos de forma pontual como tentativa de legitimar as violências que são perpetradas contra a população pobre das favelas e bairros populares do Rio de Janeiro, em nome da guerra ao crime organizado. Trata-se de uma farsa pois a cabeça do crime não está nas favelas e as Forças Armadas sabem isso.

Na Vila Kennedy há uma Unidade de Pronto Atendimento e duas Clínicas da Família além de escolas, que funcionam de forma precária. Caso o governo federal estivesse realmente interessado em promover ações sociais nesta comunidade, estaria garantindo recursos adequados para não faltarem medicamentos e os profissionais que lá trabalham terem seus salários pagos, o que não é a realidade de hoje. E não mandar o Exército para tirar fotos de moradores, criando um banco de dados, o que foi considerado ilegal, revistar mochilas de crianças, e prender e processar por desacato quem reclama das arbitrariedades.

Associar a prestação de serviços de saúde a uma ajuda do Exército visando conquistar uma simpatia da população é agredir o Direito constitucional. A saúde não é uma caridade ou concessão do Estado, pelo qual o povo deve ficar agradecido. É uma obrigação.

Trabalhadores de saúde são agentes de uma política de Estado, não são instrumentos de governos muito menos de militares para “adoçar” a escalada de violência contra os Direitos do povo.

 

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