MOCLASPO participa de ato contra o (agora ex-) Ministro da Saúde no Hospital Federal de Bonsucesso (RJ)

Na manhã do sábado dia 9/5/20, sabendo da anunciada visita do ministro da Saúde (ou doença?) ao Hospital Federal de Bonsucesso, o MOCLASPO, junto de outros coletivos, como o Fórum de Saúde do RJ e o Nenhum Serviço de Saúde a Menos, resolveram fazer um ato de rua, mostrando que é possível mostrar ao povo a insatisfação com a forma criminosa como o governo Bolsonaro /generais tratam a saúde e deixam à míngua a rede federal de hospitais do Rio de Janeiro onde centenas de leitos estão fechados por falta de pessoal e equipamentos. Que é possível se manifestar de forma diferente dos que não respeitam a vida e a ciência: com máscaras, distanciamento de 2 metros, óculos e álcool gel.

Dispostos a denunciar os crimes de Estado do atual gerenciamento do fascista Bolsonaro e os generais que o acompanham e do agente dos planos de Saúde ministro herr Teich (agora ex), 10 profissionais e usuários da Saúde protestaram em frente ao HFB. Os presentes estavam representando muito mais trabalhadores que passam diariamente pelas dificuldades de trabalho sem EPIs e pelo povo trabalhador que está aguardando na fila por um leito.

Além dos jornalistas, foram chegando aos poucos 4 camburões e outras duas viaturas da PM. Parecia que se recebessem ordem de prender os manifestantes, a PM assim o faria. Com a desculpa de manter o isolamento social que seus patrões não exigem que mantenham, nem na Supervia, nem nos ônibus da Cidade. Pois de nada adianta o prefeito Crivella ter baixado decreto impedindo que as pessoas viajem a pé se as empresas reduziram a frota de ônibus. E ninguém fiscaliza e coloca ordem pública na conduta criminosa dessas empresas.

Além da polícia, haviam diversos elementos P2, agentes de inteligência/segurança.

Os coletivos decidiram não dar entrevistas, a não ser que fosse ao vivo (única forma de evitar edição das falas) e optaram por um jogral. Num determinado momento, um PM educadamente perguntando quem seria “o responsável”, veio pedir os nomes dos manifestantes, apenas “para preencher o relatório”. O que foi, obviamente, negado.

Por volta das 13 h, embora o ministro ainda não tivesse aparecido, os coletivos decidiram que a tarefa já havia sido cumprida com êxito. Companheiros do MOCLASPO, durante o retorno, perceberam que estavam sendo seguidos por uma viatura da PM “Bonsucesso Presente”, fato confirmado, inclusive pelo motorista do transporte. O carro em que eles estavam foi parado quando chegava na Leopoldina (bem distante de Bonsucesso!). A PM solicitou que o motorista saísse e a sua documentação para comprovação de que era de aplicativo. Um deles, que estava à paisana, foi reconhecido pelo motorista do Uber como sendo o mesmo fotografado pelo coletivo durante o protesto. Logo nos liberaram, sem mais perguntas. Queriam nitidamente dar um recado. Recado esse que não dão para os elementos fascistas que pedem a volta da brutalidade do regime militar de 1964, e fazem aglomerações sem máscaras, sem distanciamento social, cuspindo na cara de quem os contesta.

E o nosso recado aos genocidas dos governos também já havia sido dado, com o exitoso ato de protesto.

O ato teve muita repercussão em vários movimentos pela saúde do Rio saindo até reportagem na imprensa corporativa. Isso foi um exemplo para os sindicatos da categoria dos funcionários do Ministério da Saúde que não se fizeram presentes que na situação que a saúde pública passa, é possível usar a ciência a nosso favor e não se omitir de denunciar os desmandos dos governos a um público amplo e não apenas aqueles que seguem as redes sociais destes sindicatos.

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