MOCLASPO participa de ato contra o (agora ex-) Ministro da Saúde no Hospital Federal de Bonsucesso (RJ)

Na manhã do sábado dia 9/5/20, sabendo da anunciada visita do ministro da Saúde (ou doença?) ao Hospital Federal de Bonsucesso, o MOCLASPO, junto de outros coletivos, como o Fórum de Saúde do RJ e o Nenhum Serviço de Saúde a Menos, resolveram fazer um ato de rua, mostrando que é possível mostrar ao povo a insatisfação com a forma criminosa como o governo Bolsonaro /generais tratam a saúde e deixam à míngua a rede federal de hospitais do Rio de Janeiro onde centenas de leitos estão fechados por falta de pessoal e equipamentos. Que é possível se manifestar de forma diferente dos que não respeitam a vida e a ciência: com máscaras, distanciamento de 2 metros, óculos e álcool gel.

Dispostos a denunciar os crimes de Estado do atual gerenciamento do fascista Bolsonaro e os generais que o acompanham e do agente dos planos de Saúde ministro herr Teich (agora ex), 10 profissionais e usuários da Saúde protestaram em frente ao HFB. Os presentes estavam representando muito mais trabalhadores que passam diariamente pelas dificuldades de trabalho sem EPIs e pelo povo trabalhador que está aguardando na fila por um leito.

Além dos jornalistas, foram chegando aos poucos 4 camburões e outras duas viaturas da PM. Parecia que se recebessem ordem de prender os manifestantes, a PM assim o faria. Com a desculpa de manter o isolamento social que seus patrões não exigem que mantenham, nem na Supervia, nem nos ônibus da Cidade. Pois de nada adianta o prefeito Crivella ter baixado decreto impedindo que as pessoas viajem a pé se as empresas reduziram a frota de ônibus. E ninguém fiscaliza e coloca ordem pública na conduta criminosa dessas empresas.

Além da polícia, haviam diversos elementos P2, agentes de inteligência/segurança.

Os coletivos decidiram não dar entrevistas, a não ser que fosse ao vivo (única forma de evitar edição das falas) e optaram por um jogral. Num determinado momento, um PM educadamente perguntando quem seria “o responsável”, veio pedir os nomes dos manifestantes, apenas “para preencher o relatório”. O que foi, obviamente, negado.

Por volta das 13 h, embora o ministro ainda não tivesse aparecido, os coletivos decidiram que a tarefa já havia sido cumprida com êxito. Companheiros do MOCLASPO, durante o retorno, perceberam que estavam sendo seguidos por uma viatura da PM “Bonsucesso Presente”, fato confirmado, inclusive pelo motorista do transporte. O carro em que eles estavam foi parado quando chegava na Leopoldina (bem distante de Bonsucesso!). A PM solicitou que o motorista saísse e a sua documentação para comprovação de que era de aplicativo. Um deles, que estava à paisana, foi reconhecido pelo motorista do Uber como sendo o mesmo fotografado pelo coletivo durante o protesto. Logo nos liberaram, sem mais perguntas. Queriam nitidamente dar um recado. Recado esse que não dão para os elementos fascistas que pedem a volta da brutalidade do regime militar de 1964, e fazem aglomerações sem máscaras, sem distanciamento social, cuspindo na cara de quem os contesta.

E o nosso recado aos genocidas dos governos também já havia sido dado, com o exitoso ato de protesto.

O ato teve muita repercussão em vários movimentos pela saúde do Rio saindo até reportagem na imprensa corporativa. Isso foi um exemplo para os sindicatos da categoria dos funcionários do Ministério da Saúde que não se fizeram presentes que na situação que a saúde pública passa, é possível usar a ciência a nosso favor e não se omitir de denunciar os desmandos dos governos a um público amplo e não apenas aqueles que seguem as redes sociais destes sindicatos.

GOVERNO BOLSONARO/GENERAIS DEIXAM A POPULAÇÃO A MERCÊ DO CORONAVIRUS! SÓ A LUTA DEFENDERÁ A VIDA DO POVO !

A epidemia de coronavírus, grave ameaça à vida da população, principalmente mais idosa e com doenças já existentes, vem se somar às já precaríssimas condições de saúde da população brasileira, principalmente a mais pobre. É um fator a mais que agrava as péssimas condições de funcionamento do SUS que, não tendo sido nunca valorizado desde sua criação em 1988, tem passado nos últimos anos por uma clara destruição. Ou a população não sabe que Crivella acabou com muitas equipes de Saúde da Família, mandando embora 5000 trabalhadores desde 2017? E que Bolsonaro sucateou os hospitais federais do Rio como Bonsucesso e INCA, onde faltam profissionais de saúde, medicamentos e insumos. Falta de leitos e de UTI já é uma realidade no SUS.

O governo brasileiro não foi pego de surpresa! Desde final de dezembro, a epidemia de coronavírus já existia em países com amplo contato de passageiros com o Brasil, como a Itália e os Estados Unidos. O governo Bolsonaro estabeleceu controle da entrada de passageiros? Isso foi muito tarde, com a epidemia já se alastrando e ainda mantém a fronteira aérea livre com os Estados Unidos. Os interesses mesquinhos do setor de turismo falaram mais alto. Afinal de contas, era Carnaval.

O governo se preparou para fazer testes na população como tem recomendado a Organização Mundial de Saúde? Não, o ex-Ministério Mandetta dizia que não tem empresas vendendo no mercado internacional. Mentira! Está alegando não ter recursos. Ora, tira dos juros da dívida, exija sacrifícios dos banqueiros, dos grandes empresários, dos latifundiários, taxação das grandes fortunas! O Ministro atual, com larga experiência em hospitais particulares, trocado por Bolsonaro no meio da pandemia, diz que vai estudar o assunto.

Os governos Bolsonaro, Witzel e Crivella se prepararam comprando Equipamentos de Proteção Individual, EPI, para quem trabalha na saúde? Não, estão obrigando esses trabalhadores a atender as pessoas sem máscaras adequadas, avental e luvas, resultando em alta contaminação e mortes entre trabalhadores da saúde, sobrecarga e exaustão. No mês de abril, foi aprovada uma medida provisória por Bolsonaro que permite redução do tempo de descanso dos trabalhadores da saúde, mais um claro ataque aos trabalhadores. A falta dos testes diagnósticos afeta até os casos mais graves, e muitos estão morrendo sem diagnóstico! E a ampliação prometida de leitos? Está completamente atrasada, apesar da aceleração dos casos. O que será das pessoas com outros problemas graves de saúde que precisarem de UTI? Infartados, pessoas com câncer, AVC? Serão deixados para morrer, como na Itália já está acontecendo. Os mortos não precisam de leitos e sim, covas, que o Exército já está providenciando.

Saudamos os trabalhadores da saúde que tem desdobrado esforços para enfrentar essa situação. Não aceitem trabalhar sem proteção! Rebelar-se é justo!

Inicialmente implantaram um verdadeiro estado de sítio. Hipócritas! Mandam a população ficar em casa, mas não dão condições para ela sobreviver:

  • Autorizam empregadores despedir empregados e reduzir seus salários;

  • O governo e o Congresso, Rodrigo Maia e Paulo Guedes à frente, querem aprovar medidas que sempre quiseram fazer como a redução dos salários dos servidores públicos e botar a culpa no sacrifício necessário para combater o coronavírus;

  • Crivella autoriza o corte de 40% da frota de ônibus (afinal, os empresários não podem ter prejuízo). Resultado: os ônibus continuam cheios, facilitando a transmissão do vírus;

  • As medidas higiênicas que eles preconizam não levam em conta as precárias condições de vida da maioria da população, que vive em casas de um cômodo, com um banheiro precário, e de comunidades em que até a água falta! A isso vem se somar a perda de rendimentos de trabalhadores informais, que passarão fome, pois os R$ 200 proposto por Paulo Guedes, que viraram R$ 600 aprovados pelo Congresso não pagam nem o álcool gel, que teve seus preços disparados. O dinheiro saiu e muitos dos mais necessitados até hoje não conseguem ter acesso se expondo em filas enormes.

E, no final, Bolsonaro recomenda que se saia da quarentena sob a desculpa de falência de negócios e falta de renda para os informais. Diz que o coronavírus é uma gripezinha, dizendo que a responsabilidade caia no seu colo. Prepotente, como se fizesse diferença aos milhares de mortos serem empilhados no seu colo. Não se preparou para a epidemia, fez uma quarentena atabalhoada, sem testes e sem proteção à população, nem renda para ela ficar em casa. Agora, sai atabalhoadamente dizendo que os jovens não serão afetados. O que ele não diz é que os jovens não morrerão se tiverem atendimento, coisa que ele não está se preparando para oferecer. Onde estão os hospitais de campanha que o exército poderia estar fazendo ao invés de se preocupar com reprimir a população?

Situações duras já estão postas. Temos que nos manter mobilizados tomando as precauções necessárias e protegendo os mais vulneráveis! Não caiamos no individualismo que o governo e a grande mídia recomendam para enfrentar a epidemia! Sejamos solidários! Ajudemos aos que vivem em nossas comunidades e tomemos decisões coletivas! Querem colocar a polícia para impedir o povo de se manifestar contra as dificuldades que surgirão. Os nossos inimigos estão a postos e temos que defender a nossa vida:

  • Não aceitemos, em hipótese nenhuma, que as pessoas passem fome. Qualquer medida que o povo tome para que isso não aconteça é justa!

  • Exigimos que o governo Bolsonaro dê no mínimo o que a lei diz ser o mínimo: salário mínimo para os trabalhadores sem renda!

  • Exigimos que os governos Witzel e Crivella disponibilizem álcool gel e máscaras de graça para as famílias, assim como obriguem todos os estabelecimentos de terem – como os supermercados, o transporte público!

  • Exigimos que todos os governos disponibilizem Hospitais de Campanha, pessoal, respiradores, leitos e UTIs suficientes para todos os doentes que precisarem! Se for necessário, que estatizem o setor privado!

Incentivamos as iniciativas que tem ocorrido de criação de Comitês Sanitário de Defesa Popular, no campo e na cidade, para mobilizar e organizar a auto-ajuda durante a epidemia. Da mesma forma, defendemos a criação de comitês de defesa dos trabalhadores da saúde nos locais de trabalho, para lutarem por processos de trabalho seguros e solidariedade aos colegas atingidos.

Saiamos dessa crise mais fortes e mais conscientes de que só uma sociedade verdadeiramente democrática, onde não impere o interesse mesquinho do lucro, onde o Estado de fato seja dirigido pelo povo, pode enfrentar tão duros problemas! Tomemos nosso destino em nossas mãos! A atitude de todos os governantes – Bolsonaro, Witzel, Crivella – por mais demagogia que façam, será insuficiente. O Estado é dos ricos e as principais medidas que tomarão serão para protegê-los: darão compensações às grandes empresas, mas os trabalhadores informais ficarão à míngua; garantirão leitos nos hospitais privados, mas a população mais pobre ficará sem recursos. Que esse período de isolamento social nos fortaleça a compreensão de que as mudanças devem ser coletivas e que devemos lutar por condições de vida dignas para todas as pessoas! Não nos calarão!

MOCLASPO – Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo

Liga Operária: Trabalhadores da Saúde, em risco de vida, pedem socorro

Reproduzimos nota da Liga Operária sobre a situação dos trabalhadores da saúde brasileiros em meio a pandemia do Coronavírus.

(Veja também na imprensa popular e democrática: https://anovademocracia.com.br/noticias/13302-liga-operaria-trabalhadores-da-saude-em-risco-de-vida-pedem-socorro)

 

Os trabalhadores do Sistema de Saúde público e privado pedem socorro, mas principalmente os trabalhadores do Sistema Único de Saúde – SUS. O monopólio de imprensa e todos os gerentes de turno do mundo ao invés de atenderem esse justíssimo pedido de socorro, sufocado a anos, preferem, destacarem o heroísmo dos trabalhadores da Saúde, sobretudo os esforços desses, para salvarem vidas. Negligenciados pelos governos de turno a segurança de trabalho há décadas. O povo pobre de todo mundo, sempre reconheceram a importância desses profissionais, agora a hipocrisia do monopólio de imprensa é tanta, que esquecem até de fazerem uma autocrítica. De terem acusado esses heróis, quando realizam greves por melhorias nas condições de trabalho e de salário, de negligentes. Hoje faz todo tipo de bajulação e sensacionalismo, claro, sem apontar a origem.

A grande burguesia com planos de saúde de “ampla cobertura”, jamais pensava nesses invisíveis trabalhadores: (enfermeiros, técnicos em enfermagens, atendentes, auxiliares de limpeza dentre outros). Agora, acompanhamos depoimentos “emocionados” de grandes burgueses, que escaparam da morte, como a do Primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson que agradeceu os profissionais de saúde que cuidou dele. Mesmo com toda essa bajulação, muitos seguem sem terem os Equipamentos de Proteção Individual – EPI . Milhares deles contaminados, só para se ter uma base no Brasil em 17/04: há cerca de 4,8 mil profissionais estão afastados pela doença, sendo 552 diagnosticados e 30 mortes confirmadas pela Covid-19.

Análises por amostra de testagem no Rio de Janeiro, mostraram o índice é de 25% dos profissionais de saúde se contaminaram, ou seja, ¼ do efetivo, isso por que não há EPI e os profissionais, não fogem ao compromisso de salvarem vidas. Disputando os holofotes do monopólio de imprensa, se acotovelam os gerentes de turno, responsáveis pelo colapso na saúde, educação, pesquisa, saneamento básico e moradia popular, tudo visando o gerenciamento de turno. O colapso e a falta de EPI aos profissionais de saúde não vem de hoje, mas foi potencializado com a Covid-19.

Monopólio de imprensa cria “seus heróis”

Na vã tentativa de ofuscar a visão do povo, o monopólio de imprensa sempre procura destacar os “seus heróis”, repetindo de forma maçante a sua imagem e buscando mostrar só os pontos positivos dele, principalmente quando esse faz parte do grupo hegemônico da grande burguesia e do latifundiário. A Globo desafeto de Bolsonaro e seu guru Olavo de Carvalho da extrema-direita, passa a  defender o hoje ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, médico ortopedista – ferrenho defensor dos grandes grupos privados de saúde. Foi secretário de saúde e deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, representante da “bancada da saúde” no Congresso, e defensor de políticas de sucateamento do SUS, como a PEC que congelou por 20 anos os investimentos em saúde, que aprofundou ainda mais o sucateamento do SUS e privilegiando os planos de saúde privados. Mas isso, o monopólio de imprensa não faz questão de destacar. Por que não destacar?  Para não colocar o “seu herói” !

Embora Mandetta tenha se colocado em defesa da ciência e “do SUS” (vestindo o jaleco continuamente em suas aparições na imprensa), contrariando o grupo obscurantista e anticientífico de Bolsonaro, de ter orientado o povo a fabricar máscaras caseiras, para combater a Covid-19 e rasgado seda bajulando os profissionais da saúde, o passado dele, não engana e por mais que alguns oportunistas eleitoreiros, tentem exaltar Mandetta, os fatos mostram que faz parte do establishment e busca iludir o povo.

Não podemos esquecer dos nossos verdadeiros heróis: os trabalhadores da saúde pública! E devemos defende-los e não deixa-lo em risco. Nas consignas de lutas do nosso povo, principalmente os mais pobres, sempre esteve altaneiras faixas exigindo Saúde, Educação, Saneamento básico, Moradia entre outros. Defender os profissionais de saúde é defender melhores condições de vida, pois são esses que garantem a defesa da vida do povo. As políticas de sucateamento do SUS é para satisfazer os “tubarões da saúde”.

OS NOSSOS HERÓIS PEDEM SOCORRO e mesmo assim, não se cansam de salvarem vidas e muitos ainda usam o seu tempo de “folga” para ajudarem em auxílio a moradores de vilas e favelas, atendendo pessoas vulneráveis, desassistidos e em situação de rua. Ergamos as bandeiras de luta! E defendamos esses bravos heróis sem hipocrisia e sim com compromisso à humanidade!

Em defesa do Sistema Único de Saúde brasileiro, com a sua UNIVERSALIDADE!

Exigimos melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde!

RO: Sindicato dos Médicos denuncia perseguição contra profissional em meio à pandemia

Divulgamos aqui nota do Sindicato dos Médicos de Rondônia, conforme divulgada pelo Jornal A Nova Democracia: https://anovademocracia.com.br/noticias/13243-ro-sindicato-dos-medicos-denuncia-perseguicao-contra-profissional-em-meio-a-pandemia, em 10/04/2020.

SINDICATO DOS MÉDICOS REPUDIA PERSEGUIÇÃO NO JOÃO PAULO II E DENUNCIA FERNANDO MÁXIMO

O Sindicato dos Médicos de Rondônia – SIMERO manifestou repúdio e indignação pelo ato autoritário praticado pelo Secretário Estadual de Saúde, Fernando Máximo, em relotar o médico Vinicius Ortigosa Nogueira, que foi removido do pronto-socorro João Paulo II para o CEMETRON. Segundo o SIMERO, em sua nota, “Cientes da discricionaridade do ato, neste momento toda comunidade médica contraindica tal medida, por aparentar possível retaliação ao renomado profissional, fato ocorrido após apresentação de relevante trabalho científico do mesmo, com propostas concretas de estudo e observação para contribuir no contingenciamento do avanço do COVID-19, em Rondônia”.

A Nota do SIMERO defende que é de conhecimento público que o Dr. Vinícius Ortigosa Nogueira,  produziu relevante estudo quanto aos impactos das formas moderadas a Graves do Covid-19 nos leitos do Sistema Único de Saúde – SUS, apresentando pesquisas e estudos ao TCE-RO e ao CREMERO, a pedido das respectivas Instituições, contribuindo sobremaneira para entendimento da pandemia pelos  atores envolvidos na crise, tudo com fins de subsidiar entendimento para possíveis decisões e aplicação de medidas de toda ordem. Por fim, afirmam ainda, que “O Médico Sindicalizado, Dr. Vinicius Ortigosa Nogueira, tem papel fundamental como coordenador do serviço de emergências clínicas do Hospital João Paulo II, sendo também responsável pelo clínica cardiológica do referido nosocômio, sendo sua relotação, neste momento, ato contraindicado na visão técnica da comunidade médica do estado”.

Com sentimento de indignação, o Sindicato Médico de Rondônia – SIMERO, vem a público repudiar o Ato Administrativo da lavra do Secretário de Estado da Saúde, Fernando Máximo em RELOTAR o Médico, Dr.  Vinicius Ortigosa Nogueira junto ao CEMETRON.

Cientes da discricionaridade do ato, neste momento toda comunidade médica contraindica tal medida, por aparentar possível retaliação ao renomado profissional, fato ocorrido após apresentação de relevante trabalho científico do mesmo, com propostas concretas de estudo e observação para contribuir no contingenciamento do avanço do COVID-19, em Rondônia.

Já é de conhecimento público que o Dr. Vinícius Ortigosa Nogueira,  produziu relevante estudo quanto aos impactos das formas moderadas a Graves do Covid-19 nos leitos do Sistema Único de Saúde – SUS, apresentando pesquisas e estudos ao TCE-RO e ao CREMERO, a pedido das respectivas Instituições, contribuindo sobremaneira para entendimento da pandemia pelos  atores envolvidos na crise, tudo com fins de subsidiar entendimento para possíveis decisões e aplicação de medidas de toda ordem” e ainda que “O Médico Sindicalizado, Dr. Vinicius Ortigosa Nogueira, tem papel fundamental como coordenador do serviço de emergências clínicas do Hospital João Paulo II, sendo também responsável pelo clínica cardiológica do referido nosocômio, sendo sua relotação, neste momento, ato contraindicado na visão técnica da comunidade médica do estado”. Por fim o sindicato da categoria afirma que “REPUDIAMOS o referido ato, solicitando que o Senhor Secretário de Estado da Saúde de Rondônia, Fernando Máximo, RECONSIDERE a decisão, mantendo o Dr. Vinícius Ortigosa Nogueira à frente da coordenação do serviço de emergências clínicas do Hospital João Paulo II, por ser medida mais acertada”.

Não é a primeira vez que o Secretário de Saúde Fernando Máximo é acusado de irresponsabilidade. No último final de semana, o Médico José Ferrari, Diretor do Departamento de Medicina da Unir, chamou de irresponsável o secretário, emitindo mensagem de que Máximo “se tornou uma estrelinha midiática!” e que “o preço a pagar pode ser elevado e irreversível” pelas “atitudes juvenis” de um “Secretário Dente de Leite!”. José Ferrari afirmou ainda que “Estamos lidando com o Bem Maior que é a vida das pessoas que escolheram este canto do mundo para viver, criar a família e seus filhos!”.

 

 

 

Descaso e omissão da Direção Médica do Hospital e Pronto Socorro João Paulo II transformam o hospital no “covidário” de Rondônia

Descaso e omissão da Direção Médica do Hospital e Pronto Socorro João Paulo II transformam o hospital no “covidário” de Rondônia 

Ao longo desta semana, a Secretaria Estadual de Saúde, através do seu titular, o Sr. Fernando Máximo, tem dado ênfase ao impacto que o desrespeito às medidas de isolamento social causou no aumento do número de casos.

No entanto, este inquestionável fato esconde outra importante constatação: é possível que o HEPSJPII tenha se tornado o principal local de transmissão e de disseminação da doença causada vírus COVID-19 em Porto Velho. E

Os números são claro: no dia 17.04.2020, o Hospital CEMETRON, que é a referência hospitalar para casos de COVID-19 em Porto Velho tinha 2 casos confirmados. Apenas no HEPSJPII, 5 casos de servidores da saúde foram confirmados.

Não obstante, mais de 20 servidores foram afastados no dia 16.04.2020, por terem tido contato próximo com um caso confirmado (um enfermeiro que desenvolveu sintomas da doença e testou positivo) e terem desenvolvido sintomas ao longo dos dias.

E o que está acontecendo então no HEPSJPII?

Como explicar o adoecimento progressivo dos trabalhadores em saúde?

Quais as ações concretas que a Direção Médica do HEPSJPII tem tomado para garantir a saúde e preservar a vida dos seus servidores?

O paciente “zero”

  

Foi um enfermeiro o primeiro paciente a apresentar sintomas da doença causada vírus COVID-19 dentro do HEPSJPII. Antes disso, havia trabalhado ao longo da semana no hospital, submetido a jornadas laborais exaustivas, em um espaço insalubre e propício da disseminação do vírus, dada as péssimas condições de trabalho que são impostas historicamente aos servidores.

No dia 08.04.2020 o paciente foi submetido ao teste para COVID-19, com resultado disponível dia 09.04.2020. Dados não confirmados e extraoficiais dão conta que o enfermeiro em questão trabalhou nos dias 08 e 09 de abril.

Diante do inevitável e trágico acontecimento, qual deveria ter sido, além de afastar imediatamente o enfermeiro, a atitude que se esperava da Direção Médica do HEPSJPII?

São várias ações, entre elas, deveria segarantir que os trabalhadores fossem avaliados periodicamente em relação à saúde ocupacional, além do desenvolvimento de planos de comunicação de emergência, incluindo espaços e canais de comunicação para responder às preocupações dos trabalhadores.

Mais importante ainda, a direção médica do hospital deveria adotar ferramentas de monitoramento da ocorrência de transmissão interna do COVID-19 em pacientes e trabalhadores, adotando medidas apropriadas para controle e mitigação da transmissão

Por isso, os trabalhadores dos serviços de saúde que apresentam Síndrome Gripal ou Síndrome Respiratória Aguda Grave ou com contatos próximos nestas condições deverão ser afastados imediatamente do trabalho.

É sabido que, dado as experiências da pandemia na China, Itália e mais recentemente nos Estados Unidos, que além de se constituírem como uma população extremante susceptível ao contágio e a doença, os trabalhadores dos serviços de saúde são essenciais no enfrentamento da COVID-19 no Brasil. Na Itália, mais de 12 mil profissionais da saúde contraíram o vírus e mais de 100 foram a óbito.

Diante da altíssima taxa de contágio, em especial nos profissionais de saúde, esperava-se uma postura de pró-atividade da direção médica do HEPSJII, em especial vigilância e monitoramento de todos os pacientes e profissionais que tiveram contato com e enfermeiro, para que se eventualmente desenvolvem-se sintomas, pudessem ser isolados e submetidos a testes para detecção viral.

Mas nada disso aconteceu. Negligência, omissão e descaso com o servidor público. Essa foi a tônica adotada pela Direção Médica do HEPSJPII.

A indiferença a vida caminha a passos largos e o Hospital torna-se o principal local de disseminação do vírus em Rondônia

 

Atentos ao sofrimento e ao suplício que os profissionais de saúde têm sofrido, os profissionais de enfermagem do hospital buscaram na Direção Médica do HEPSJPII um refúgio para um evidente problema: o contágio progressivo e o adoecimento constante dos seus pares.

O que conseguiram? Indiferença descaso com a saúde dos servidores do HEPSJPII.

A redação teve acesso a conversas internas de grupo de WhatsApp do HEPSJPII, que apontam para a gravidade dos fatos e materializam o descaso com o qual os servidores daquele hospital têm sofrido.

No dia 16.04.2020, a Gerente de Enfermagem do Enfermagem do HEPSJPII, Cristiane Chiarelli, externa suas preocupações com a saúde física e mental dos servidores do hospital, uma vez que inúmeros servidores começaram a apresentar sintomas e necessitavam de atendimento prioritário.

Em mensagem enviada a um grupo privativo de WhatsApp denominado Comitê de Crise COVID-19, solicita encarecidamente o apoio da Direção Médica (Dr. Amaury – Diretor Geral; Dr. Diego Almeida – Diretor Técnico; Dr. Nelson – Gerente Médico) para atendimento dos servidores do HEPSJPII.

A resposta do Diretor Técnico, Dr. Diego Almeida, médico cirurgião, foi enfática na recusa: “Não podemos fazer atendimento no JP”.

Com isso, cria-se um cenário de abandono e desresponsabilização frente a frágil situação dos trabalhadores de saúde do HEPSJPII.

Enfim, os servidores estavam a jogados a sua própria sorte.

Da omissão a responsabilização: deflagra-se o contágio do vírus e os servidores tombam no front de batalha

  

Diante da gravidade dos fatos, inúmeros outros servidores buscaram, em vão, solucionar o descaso e o abandono ao qual os servidores do HEPSJPII.

Tivemos acesso a um áudio, supostamente enviado pela Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do HEPSJPII, Dra. Thattiane Borba, que manifestara contrariedade e objeção frente as atitudes irresponsáveis  e omissas adotadas pela Direção Médica do hospital.

Em áudio enviado ao Diretor Técnico do Hospital (Dr. Diego Almeida), a médica intensivista adverte:

“Esse número de servidores infectados dentro do João Paulo, irá nos trazer inúmeras consequências. A gente vai chegar em uma situação de disseminação do vírus dentro do hospital que pode acarretar o fechamento do Pronto Socorro”. E continua em tom de severidade:

“E se esse vírus acabar contaminando a UTI, a gente vai ter muitos óbitos lá dentro (dentro da UTI) e os servidores dali de dentro também vão ficar doentes”. Cobra ainda, providências emergenciais, com a velocidade que a pandemia exige:

“Então eu acho que Amaury, você e o Nelson que estão a frente da Direção, precisam discutir seriamente com Fernando o que vai ser feito daqui para frente”.

Suas palavras foram proféticas frente ao perigo que a situação atual, de disseminação do vírus dentro de uma unidade hospitalar do Estado. Mas infelizmente, a Direção Médica do HEPSJPII fez “ouvido de mercador” para o alerta da médica. Suas recomendações foram como “palavras ao vento”.

E mais cedo do que se esperava, a história cobrou seu preço.

Nas últimas 24h, confirmou-se através de exames moleculares, o contágio de mais de 5 servidores do Hospital Estadual e Pronto Socorro João Paulo II. Em menos de 24h, mais de 26 trabalhadores, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foram afastados das suas atividades laborais, reduzindo ainda mais o número de profissionais capacitados e aptos para cuidar da nossa população durante luta contra a pandemia pelo COVID-19.

Com a palavra, aqueles que negligenciaram a questão!

Com a palavra, a Direção Médica do HEPSJPII!

Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo – MOCLASPO

Rondônia

Imprensa popular de democrática denuncia: Coronavírus entrou no país sob os auspícios do almirante presidente da Anvisa

Coronavírus entrou no país sob os auspícios do almirante presidente da Anvisa
31/03/2020

O posicionamento de Bolsonaro em 24 de março minimizando os feitos da epidemia de coronavírus no Brasil e defendendo o retorno à vida normal gerou uma comoção nacional por estar na contramão das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da experiência em outros países, onde a não decretação da quarentena gerou uma enxurrada de casos muito acima do que o sistema de saúde poderia atender. Na Itália, os idosos acima de 80 anos já não recebem tratamento adequado e morrem à míngua.

Entretanto, fica parecendo que a mudança de rumo do governo Bolsonaro/generais apenas se deu neste exato momento, pois antes estava tomando as medidas necessárias. O que seria tapar os olhos para a realidade de destruição do Sistema Único de Saúde (SUS) que o governo federal tem acelerado ao desmontar a atenção básica e os hospitais do Ministério da Saúde.

O que pouco se tem falado, tanto na mídia corporativa monopolista quanto em inúmeros posicionamentos de entidades de saúde é: diante da clara ameaça de introdução do coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde tomou as precauções necessárias? Se preparou para uma emergência?

A primeira medida, correta, foi quando o vírus estava circulando na China, impondo uma quarentena de 14 dias para brasileiros vindo desse país entre 9 e 23 de fevereiro. Só que em 31 de janeiro de 2020 a OMS já havia declarado Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Para os passageiros vindos de outros países foi feito o mesmo? Na segunda quinzena de fevereiro o vírus já circulava em vários países, alguns de grande fluxo de brasileiros, como a Itália, a Espanha e o Estados Unidos.

O que fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsável pela vigilância de saúde de portos e aeroportos? Em 11/02/2020 recomendava, no seu portal, o uso de equipamentos de proteção individual nos trabalhadores de portos que tinham contato direto com viajantes provenientes… da China. Para os demais, nenhum controle. A investigação de casos suspeitos só havia se o passageiro declarasse sintomas.

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi de um brasileiro que esteve no norte da Itália entre 9 e 21 de fevereiro. Mesmo em março, brasileiros que chegavam no aeroporto de Guarulhos enfatizavam a displicência com que se davam informações aos passageiros que voltavam da União Europeia e do Estados Unidos, onde a situação da epidemia já estava manifesta. Na semana entre 9 e 13 de março, quando o Ministério da Saúde discute a implantação do isolamento social, a Anvisa mantinha sua postura de inspecionar os voos vindos apenas da China! Quantos voos são provenientes da China e quantos provenientes da Itália, Espanha e do Estados Unidos? A 18 de março, o governo Bolsonaro/generais fecha a fronteira com a Venezuela, uma medida ideológica pois, mesmo em 29/03, o país possuía poucos casos de coronavírus. Apenas em 23 de março a Portaria 133 de Casa Civil impediu entrada de passageiros vindos da União Europeia e países da Europa ocidental, ademais da Austrália, Irã, Japão, Malásia e Coréia, além da China. Porque não do Estados Unidos que, em 27 de março, lidera os casos no mundo com 101.657 pessoas infectadas, de acordo com portal da Johns Hopkins University?

Em 14 de março o pusilânime Ministro da Saúde baixa uma medida de isolamento de sete dias para todo viajante que chegasse ao país, mesmo assintomático, e suspensão da entrada de passageiros de cruzeiros marítimos. Sob pressão de Bolsonaro e do seu almirante da Anvisa, ele recua.

Os países mais exitosos até então no controle da velocidade de propagação da epidemia, como Coréia do Sul e Cingapura, fizeram controles muito rígidos dos casos importados, impondo quarentenas e testes diagnósticos de casos sintomáticos e comunicantes. Destaque para Cuba que registrou apenas três casos em turistas italianos em 12/03; em 20/03 fechou suas fronteiras para fluxo de passageiros. Observa-se, ainda, um pequeno número de casos com respeito a sua população em países do Leste Europeu e Rússia que também fecharam as fronteiras para estrangeiros. A China, com medo do retorno de casos importados, fecha a fronteira em 28/03.

Alguns poderão dizer que o leite já derramou e que os casos sobem vertiginosamente.

O que nos interessa aqui é observar que, no controle de fronteiras, o desleixo e a inoperância da Anvisa (presidida por um almirante) foi grande, quando se constatou que os primeiros casos no Brasil vieram de fora, em fevereiro, destacadamente da Itália e do Estados Unidos (veja a comitiva presidencial no início de março, que parece ter espalhado o vírus para o Distrito Federal, região com bastante casos no Brasil). Porque isso deve ter ocorrido?

Certamente o que esteve por trás foram os interesses do setor de turismo brasileiro, companhias aéreas, hotéis, cruzeiros marítimos, a qual o governo Bolsonaro empenha seus préstimos e que não deixará, inclusive, sofrer prejuízos, já que para as aéreas anunciou, de imediato, pacote de ajuda.

Antonio Barras Torres participou ao lado de Bolsonaro das manifestações pró-governo do dia 15 de março. Foto: Redes Sociais

Debochar agora de outras medidas de controle, acabando com a quarentena, não se preparando para o aumento vertiginoso do número de casos que necessite de internação, não botando o Exército para fazer hospitais de campanha (pois isso eles são obrigados a saber) sob o pretexto de salvar a economia, ou seja, “salvar” a superexploração do trabalhador e a subjugação nacional, é repetir o mesmo erro da fase anterior quando os casos podiam ser barrados nos aeroportos. Estará esse governo militar de Bolsonaro/generais coordenando esforços para redirecionar e intensificar a produção das fábricas de equipamentos de proteção individual e materiais médicos para fazer frente às necessidades dos hospitais? Não está.

Bolsonaro e generais estão brincando com fogo. As ameaças de saques por parte da população faminta sem renda aceleraram a Câmara na aprovação da renda emergencial para a população informal. Mas falta o Senado e a promulgação do governo federal. Quanto tempo durará para a burocracia exigida permitir que o benefício chegue na casa de quem precisa? Os politiqueiros de plantão usarão esse benefício e a expansão do Bolsa Família, também prometida, para ampliar suas bases eleitorais visando a próxima eleição?

O que o povo fará quando não conseguir internar seus familiares será o próximo capítulo.

Nota:

*Presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo) e Professora Adjunta da Faculdade de Medicina e do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

VEJA A MATÉRIA AQUI: https://www.anovademocracia.com.br/noticias/13194-coronavirus-entrou-no-pais-sob-os-auspicios-do-almirante-presidente-da-anvisa

PERSEGUIÇÃO NA SAÚDE: MÉDICO TRANSFERIDO DO PRONTO SOCORRO JOÃO PAULO II

Médico Emergencista que se destacou em estudo sobre Covide-19 é transferido da Unidade por perseguição política. O secretário estadual quer esconder o caos na saúde de Rondônia.

(A denúncia também pode ser encontrada na página do Jornal A Nova Democracia aqui: https://anovademocracia.com.br/noticias/13196-perseguicao-na-saude-medico-transferido-do-pronto-socorro-joao-paulo-ii)

A transferência do Médico Vinícius Ortigosa Nogueira, Ex-Coordenador Médico da Urgência e Emergência do HEPSJPII (Pronto socorro João Paulo II) trata-se de uma retaliação pelas críticas feitas às medidas ineficientes do Secretário Estadual de Saúde Fernando Máximo. O médico Vinícius Nogueira, também é Professor Auxiliar de Medicina de Emergência da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e nos últimos meses se destacou por apontar os impactos da pandemia do Covide-19 na saúde pública de Porto Velho. O Secretário Estadual de Saúde, Fernando Rodrigues Máximo, de forma sumária, sem qualquer diálogo com o profissional, o transferiu do Pronto Socorro João Paulo II para o Hospital de Medicina Tropical de Rondônia – CEMETRON.

O médico Vinícius Ortigosa Nogueira, havia apresentado uma análise que contribuiu para Plano de Contingência do COVID-19, junto ao Tribunal de Contas do Estado de Rondônia – TCE/RO e ao Conselho Regional de Medicina de Rondônia – CREMERO. Ao destacar a letargia do poder público estadual em prover seguranças e ações efetivas de enfrentamento à pandemia e criticando governistas que afirmam se tratar de uma “gripezinha”, feriu o ego do Secretário Fernando Máximo e do gerente estadual Marcos Rocha, asseclas de Bolsonaro.

Nogueira, defendeu, publicamente, que era preciso, “Garantir provisionamento de máscaras (cirúrgica e N-95), luvas, aventais impermeáveis, gorros, óculos de proteção suficientes para os profissionais e pacientes; Garantir de imediato, a proporção de 1 ventilador mecânico para leito novo habilitado (verificar VM em estoque, ventiladores de transporte e carros de anestesia em cada hospital); Garantir bombas de infusão e equipos, monitores multiparamêtricos, com capnógrafo, sistemas de aspiração fechado, cateter venoso central, sonda nasoenteral e vesical, cateteres venosos centrais; cateter nasal e máscara com reservatório”. Denunciou ainda que, com uma população de 519 mil habitantes, Porto Velho tem apenas 124 leitos de UTI e por fim defendeu a necessidade de “Trazer profissionais de outras especialidades e áreas para que atuem em força tarefa junto a equipe de UTI, em especial os médicos-emergencistas; Avaliar abertura de processo seletivo emergencial para médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas e nutricionistas; Garantir treinamento prévio e EPI´s para as equipes assistenciais”. Estas medidas contrariam o viés privatista que orienta a política do governo federal e do governo estadual de entrega do Sistema Único de Saúde para a iniciativa privada.

TRANSFERÊNCIA DE SERVIDORES, EXONERAÇÕES DE CARGO DE CHEFIA E INTERESSES POLÍTICOS.

Nada de “nova política”, mas o velho toma-lá-dá-cá com a ocupação de cargos comissionados e de chefia por apadrinhados políticos sem qualquer qualificação. Foi assim, com a advogada, Paola Ferreira da Silva Longhi Neiva, nomeada como diretora do Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (LACEN). Paola é namorada do filho do Deputado Estadual Ezequiel Neiva (PTB), já está recebendo o salário de R$ 6 mil reais, onde nunca desempenhou nenhuma atividade no ramo da ciência e pesquisa. Sua nomeação foi apenas acordo da velha política entre o Governador Marcos Rocha, o Secretário Fernando Rodrigues Máximo e o Deputado Ezequiel Neiva.

De modo similar, a enfermeira Sandra Maria Petillo Cardoso, cedida pelo Município de Porto Velho, já estava à disposição do secretário estadual de saúde e foi agraciada com nomeação de cargo de Diretor-Geral Adjunto, do Hospital de Pronto Socorro João Paulo II, conforme Decreto de 15/01/2020, a contar de 8 de janeiro de 2020, com uma gorda remuneração de Cargo de Direção Superior, símbolo CDS-12, de R$7.173,80. Inúmeros profissionais, contudo, atestam a incapacidade técnica de tal enfermeira, que foi agraciada pelo compadrio e que, às cegas, seguirá as orientações do secretário estadual de saúde. As mudanças em diversos cargos de direção, nomeações e transferências, agraciam os que congregam no obscurantismo religioso, como a Assessora Aurea Pinheiro Scarponi, inclusive para fazer uso ao bel prazer de cartões corporativos do Estado.

Há inúmeras transferências de servidores, troca de chefias que visam, ao que apuramos, esconder as reais condições precárias da saúde pública estadual, bem como restringir o acesso às informações acerca da pandemia do Coronavírus em Rondônia. As medidas tomadas pelo Secretário Estadual de Saúde Fernando Máximo e o governador Marcos Rocha, como a restrição de informações e a comunicação ao estilo Bolsonaro de se comunicar por “lives”, visam apenas a promoção pessoal para se capitalizar eleitoralmente, menosprezando os impactos da pandemia que atingirá, sobretudo, a população mais pobre.

MOCLASPO – Rondônia

http://apps.portovelho.ro.gov.br/transparencia/pessoal/funcionarios/28151 

http://www.diof.ro.gov.br/data/uploads/2019/12/DOE-23.12.2019.pdf

https://ppe.sistemas.ro.gov.br/Diof/Pdf/1690

http://www.diof.ro.gov.br/data/uploads/2020/03/%E2%80%8ESem-t%C3%ADtulo.pdf

 

 

 

PORTO VELHO/RO: PROFISSIONAIS DA SAÚDE DENUNCIAM PRECARIEDADE E PERSEGUIÇÕES NO JOÃO PAULO II

NOTA DE REPÚDIO DE FUNCIONÁRIO DO JOÃO PAULO II DENUNCIA PERSEGUIÇÃO A ENFERMEIROS, MÉDICOS E OUTROS PROFISSIONAIS

Uma Nota de repúdio dos trabalhadores do Pronto Socorro Estadual João Paulo II, o único hospital público de emergência da capital rondoniense, denuncia perseguições a profissionais por parte do Secretário Estadual de Educação Fernando Máximo. A principal denúncia é a de que mais uma vez o referido secretário, remove funcionários experientes, num momento de grave crise na saúde pública com a pandemia do Covid 19. Os trabalhadores do João Paulo II afirmam que de forma leviana, dissimulada e covarde, o Secretário Fernando Máximo, remove sumariamente trabalhadores, sob a alegação de que os transferidos irão combater o Covid 19 em outras unidades.

A Nota de repúdio aponta como exemplo, além das transferências de “servidores da sala de emergência” e de outros setores, denuncia o caso específico do Enfermeiro Josué Sicsú, que de forma sumária foi transferido da Unidade onde desempenhou suas funções há 16 anos e que por levantar argumentos contrários a ação irresponsável dos atuais gestores da saúde em Rondônia. Afirmam ainda que “A atitude da atual gestão é totalmente arbitrária” e que “Não nos esqueçamos que as remoções não podem encobrir vícios à impessoalidade (perseguições ou privilégios), nem à finalidade (atendendo-se interesse particular em vez de atender o interesse público”. O Secretário já havia sido denunciado por perseguição ao transferir o Médico Vinícius Ortigosa Nogueira, por este ter manifestado de forma crítica as medidas ineficientes adotadas pelo secretário contra a pandemia do Covid 19. O secretário Fernando Máximo, de forma irresponsável, transferiu o único médico emergencista titulado de Rondônia, da única unidade de emergência que atende todo o Estado.

Os profissionais de saúde denunciam ainda que o Secretário Fernando Máximo, além de encobrir a precariedade do atendimento no Pronto Socorro João Paulo II, também “entrega o hospital a uma nova gestão, que nada sabe sobre os problemas existentes no hospital”. Os trabalhadores concluem a nota de repúdio conclamando o respeito à população rondoniense e aos profissionais da saúde, afirmando que não se calarão e nem se intimidarão.

MOCLASPO – Rondônia

GOVERNO MILITAR DE BOLSONARO-GENERAIS DEIXA A POPULAÇÃO A MERCÊ DO CORONAVIRIS! SÓ A LUTA DEFENDERÁ A VIDA DO POVO! 

A epidemia de coronavírus, grave ameaça à vida da população, principalmente mais idosa e com doenças já existentes, vem se somar às já precaríssimas condições de saúde da população brasileira principalmente a mais pobre. Será um fator a mais que agrava as péssimas condições de funcionamento do SUS que, não tendo sido nunca valorizado desde sua criação em 1988, tem passado nos últimos anos por uma clara destruição. Ou a população não sabe que Crivella acabou com muitas equipes de Saúde da Família, mandando embora 5000 trabalhadores desde 2017? E que Bolsonaro/generais sucatearam os hospitais federais do Rio como Bonsucesso e INCA, onde faltam profissionais de saúde, medicamentos e insumos? Falta de leitos e UTIs já são uma realidade no SUS.

O governo brasileiro não foi pego de surpresa. Desde final de dezembro a epidemia de coronavírus já existia em países com amplo contato de passageiros com o Brasil como a Itália e os Estados Unidos. O governo de Bolsonaro e dos generais estabeleceu controle da entrada de passageiros? Isso foi muito tarde, com a epidemia já se alastrando e ainda mantém a fronteira aérea livre com os Estados Unidos. Os interesses mesquinhos do setor de turismo falaram mais alto. Afinal de contas, era Carnaval.

O governo se preparou para fazer testes na população como tem recomendado a Organização Mundial de Saúde? Não, o ministro Mandetta diz que não tem empresas vendendo no mercado internacional. Mentira! Está alegando não ter dinheiro. Tira dos juros da dívida, exija sacrifícios dos banqueiros, dos grandes empresários, dos latifundiários, taxação das grandes fortunas!

Os governos Bolsonaro, Witzel e Crivella se prepararam comprando Equipamentos de Proteção Individual/EPI para quem trabalha na saúde? Não, estão obrigando esses trabalhadores a atender as pessoas sem máscaras adequadas, avental e luvas, quando se sabe que em outros países a cota da doença nos trabalhadores da saúde foi alta. Sabemos que não vai haver EPIs suficientes quando aumentarem absurdamente a cada dia os casos suspeitos do COVID-19. Além disso, não haverá testes suficientes nem para os casos mais graves! Há estados do Brasil que não fizeram um teste sequer, pois não possuem os testes disponíveis. O que será das pessoas com outros problemas graves de saúde que precisarem de UTI? Infartados, pessoas com câncer, AVC? Serão deixados para morrer, como na Itália já está acontecendo.

Agora, implantam um verdadeiro estado de sítio, prometem combater o “vírus”, mas de fato preparam nova escalada da sua guerra contra os pobres. Hipócritas! Mandam a população ficar em casa, mas não dão condições para ela sobreviver:

 Autorizam empregadores despedir empregados e reduzir seus salários;

 O governo e o Congresso, Rodrigo Maia e Paulo Guedes à frente, vão aprovar medidas que sempre quiseram fazer como a redução dos salários dos servidores públicos e botar a culpa no sacrifício necessário para combater o coronavírus;

 Crivella autoriza o corte de 40% da frota de ônibus (afinal, os empresários não podem ter prejuízo).

Resultado: os ônibus continuam cheios, facilitando a transmissão do vírus;

 As medidas higiênicas que eles preconizam não levam em conta as precárias condições de vida da maioria da população, que vive em casas de um cômodo, com um banheiro precário, e de comunidades em que até a água falta! A isso vem se somar a perda de rendimentos de trabalhadores informais, que passarão fome, pois os R$ 600 que foram aprovados pela Câmara, no andar da carruagem chegarão tarde e a burocracia impedirá que seja para todos. Bolsa família não dá nem para álcool gel, que teve seu preço disparado. O Ministro da Doença quer trancafiar favelados que

necessitem de isolamento num navio. Porque só favelados? Se não for para todo mundo que precise, certamente é uma política genocida, como outras tantas implantadas desde 2019 de fazer matanças nas favelas.

Saudamos os trabalhadores da saúde que tem desdobrado esforços para enfrentar essa situação. Não aceitem trabalhar sem proteção! Rebelar-se é justo!

E, no final, Bolsonaro recomenda que se saia da quarentena sob a desculpa de falência de negócios e falta de renda para os informais. Diz que o Coronavírus é uma gripezinha. Crivella, seu aliado de primeira hora, já fala em “retomar as atividades”. Não se prepararam para a epidemia, fizeram uma quarentena atabalhoada, sem testes e sem proteção a população, renda para ela ficar em casa e agora saem atabalhoadamente dizendo que os jovens não serão afetados. O que eles não dizem é que os jovens não morrerão se tiverem atendimento, coisa que eles não estão se preparando para oferecer. Onde estão os hospitais de campanha que o exército poderia estar fazendo ao invés de se preocupar com reprimir a população? Seu recado foi claro: os pobres que morram, a “economia” (leia-se: o enriquecimento escandaloso de meia dúzia de milionários) não pode parar por causa disso.

Situações duras estão por vir. Temos que nos manter mobilizados tomando as precauções necessárias e protegendo os mais vulneráveis. Não caiamos no individualismo que o governo e a grande mídia recomendam para enfrentar a epidemia. Sejamos solidários, ajudemos aos que vivem em nossas comunidades e tomemos decisões coletivas. Querem colocar a polícia para impedir o povo de se manifestar contra as dificuldades que surgirão. Os nossos inimigos estão a postos e temos que defender a nossa vida:

 Não aceitemos, em hipótese nenhuma, que as pessoas passem fome. Qualquer medida que o 

povo tome para que isso não aconteça é justa! 

 Exigimos que o governo Bolsonaro dê no mínimo o que a lei diz ser o mínimo: salário mínimo 

para os trabalhadores sem renda. 

 Exigimos que os governos Witzel e Crivella disponibilizem álcool gel e máscaras de graça para as famílias assim como obrigue todos os estabelecimentos de terem – como supermercados, transporte público. 

 Exigimos que todos os governos disponibilizem Hospitais de Campanha, respiradores, leitos e UTIs suficientes para todos os doentes que precisarem. Se for necessário, que estatizem o setor privado. 

 Exigimos que haja equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da saúde. Que o governo coordene os esforços de todas as fábricas que produzem EPIs e outros matérias médicos no Brasil, para que elas aumentem sua produção com turnos noturnos e tudo o mais que for preciso. 

Saiamos dessa crise mais fortes e mais conscientes de que só uma sociedade verdadeiramente democrática, onde não impere o interesse mesquinho do lucro, onde o Estado de fato seja dirigido pelo povo, pode enfrentar tão duros problemas! Tomemos nosso destino em nossas mãos. A atitude de todos os governantes – Bolsonaro, Witzel, Crivella – por mais demagogia que façam, será insuficiente. O Estado é dos ricos e as principais medidas que tomarão será para protegê-los: darão compensações às grandes empresas, mas os trabalhadores informais ficarão à míngua; garantirão leitos nos hospitais privados, mas a população mais pobre ficará sem recursos.

Não vamos permitir que o plano do governo de militarizar a nossa vida dê resultado. Essa militarização será para reprimir os justos protestos que ocorrerão quando as pessoas não conseguirem atendimento para seus familiares. Será para os políticos fazerem demagogia barata, traficando com o acesso

aos programas de emergência que estão sendo planejados. Organizemos, de forma independente, a mobilização para a autoajuda e a resistência nos locais de trabalho e nas comunidades. Não nos calarão!

MOCLASPO – Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo