Nós, trabalhadoras, trabalhadores, usuárias e usuários do SUS dizemos: nenhum serviço de saúde a menos no Rio de Janeiro!

Não é de hoje que estamos sempre atentos com os desmontes que o poder público tem feito no SUS. Já temos visto nos últimos meses a precarização dos Hospitais Federais e Estaduais, com demissões, corte de verbas e falta de materiais e medicamentos, além de assédio moral sofrido por quem se manifesta. Tivemos grandes perdas, com a aprovação da lei que congela em 20 anos os gastos com saúde e educação. Além disso, a aprovação da reforma trabalhista que precarizará ainda mais as relações de trabalho. Os estados e municípios vêm implantando as Organizações Sociais (OSs) e EBSERH (Empresas Brasileiras de serviços Hospitalares) como modelo de gestão dos serviços públicos na área da saúde: empresas que visam o lucro, causando prejuízos a partir do superfaturamento na saúde, precarização do trabalhador que vive rotinas de assédio moral e, com isso, a consequente piora do atendimento à população. Esse processo afeta os hospitais, a rede de Saúde Mental e a Atenção Primária à Saúde (clínicas da família). Sabemos que as clínicas da família têm uma importante função no sistema de saúde, organizando o cuidado, sendo a principal porta de entrada no sistema e que pode resolver em torno de 80% dos problemas de saúde das pessoas, evitando gastos desnecessários com internações e reduzindo as filas dos hospitais. Ressaltamos também a importância dos serviços de saúde mental, que trabalham em conjunto com a atenção primária, sendo dispositivos essenciais para o trabalho em rede.

Desde a gestão do Eduardo Paes já havia atrasos de salários, falta de materiais e medicamentos e um modelo gerencialista que prioriza os números e não a qualidade do cuidado e que permite que agora os profissionais sejam demitidos facilmente. Agora querem acabar de vez com os únicos serviços que ainda estão em funcionamento, mesmo com dificuldades, atendendo o povo carioca! Foi anunciado na terça-feira, dia 1/8/2017, uma série de cortes na saúde: o fechamento de 11 clínicas da família da zona oeste, a previsão de fechamento de mais clínicas, o aviso prévio aos trabalhadores da UPA Manguinhos e o fechamento da emergência psiquiátrica do Instituto Municipal Philippe Pinel.

Diante da rápida mobilização dos trabalhadores da saúde e dos usuários do SUS, o prefeito recuou e disse que não haverá fechamento das clínicas, mas sabemos que o posicionamento do prefeito, desde sempre, foi a redução de equipes de saúde no município. Sabemos que este recuo é apenas uma estratégia para ganhar tempo e diminuir nossa mobilização para que acreditemos que “está tudo bem” e recuemos na luta pelos nossos direitos. Com o argumento da suposta crise, quer que o povo mais vulnerável pague a conta de uma crise inventada. Sabemos que o dinheiro existe, o que não existe é vontade política de investir no SUS. Não há dúvidas que isso é mais uma maneira de acabar pouco a pouco com o SUS e fazer o povo ir em busca de planos de saúde populares, como já citou o Ministro da Saúde Ricardo Barros, em entrevista. Este mesmo ministro pretende mudar a Política Nacional de Atenção Básica, dando margem para o fim do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e das equipes como temos hoje. Crivella vem se alinhando a Temer, Barros e Pezão no desmonte dos serviços públicos de saúde.

Nós não vamos pagar por isso! Precisamos lembrar sempre que saúde é um direito de todos e dever do Estado. Um Estado que, de fato, quer cuidar das pessoas, deve buscar outras fontes de recursos, como, por exemplo, a taxação das grandes fortunas. Que os mais ricos paguem a conta! Exigimos mais direitos e melhores condições de trabalho, menos exploração e mais saúde para o povo! Não exigimos apenas o não fechamento dos serviços de saúde, mas a garantia de ampliação e qualificação dos serviços de atenção primária, dos serviços de saúde mental (como CAPS, Residências Terapêuticas) substitutivos aos hospitais psiquiátricos.

Não podemos confiar em gestores que mudam de opinião a qualquer momento. O SUS precisa de um orçamento compatível com as necessidades do povo. Não podemos retroceder!

É preciso pressionar para que haja garantia de AMPLIAR e MELHORAR os serviços de saúde como as Clínicas da Família, UPAs e CAPS com saúde 100% pública, estatal e de qualidade! Não aceitaremos demissões, redução de pessoal ou de número de equipes! Precisamos de uma gestão democrática! Não aceitaremos retaliações ao movimento! Por isso, convocamos a todas as pessoas trabalhadoras e usuárias do nosso Sistema Único de Saúde a participar das mobilizações e não desistir!!! Só com a participação popular as coisas mudam!

RESISTIR AOS ATAQUES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA E GRATUITA!

NÃO AO FECHAMENTO DE HOSPITAIS E CLÍNICAS DA FAMÍLIA!

JUSTIÇA POPULAR PARA OS CORRUPTOS!

PREPARAR A GREVE GERAL CONTRA A REFORMA DA PREVIDENCIA E TRABALHISTA!

FORA COM O OPORTUNISMO QUE USA A LUTA DO POVO PARA SE ELEGER!

ELEIÇÃO É FARSA!

O BRASIL PRECISA DE UMA GRANDE REVOLUÇÃO!

MOVIMENTO CLASSISTA EM DEFESA DA SAÚDE DO POVO Rio de Janeiro, 4/8/2017

Blog: https://saudedopovo.wordpress.com Email: movsaude@inventati.org

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